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O PAÍS DA COPA DE 2010

 

(Nota prévia. Texto publicado na revista Carta Fundamental: A Revista do Professor, nº 15, fevereiro de 2010, pp. 16 a 20. São Paulo: Editora Confiança, 2010. Tema de aula - ÁFRICA DO SUL /  FUNDAMENTAL II).

 

 

Os contrastes sociais e culturais do país mais desenvolvido do

continente africano, que manteve, durante quase meio

século, um regime de separação racial

 

 

 

                                                

    

             No período de 11 de junho a 11 de julho, acontecerá na África do Sul a Copa do Mundo de Futebol da FIFA. É a primeira vez que o maior evento futebolístico do planeta tem lugar em um país do continente africano. Um dado curioso é que o técnico que comandará a seleção dos Bafana-Bafana (“Rapazes, Rapazes”, como a seleção é chamada, em isiZulu) é um brasileiro, Carlos Alberto Parreira, que, em 1994, levou a nossa seleção ao tetracampeonato nos Estados Unidos.

 

Este não é um dado supérfluo: Além da paixão pelo futebol, brasileiros e sul-africanos compartilham outros valores culturais, e também problemas. Acontece que, por alguma razão, sempre tivemos os olhos voltados para a Europa e os Estados Unidos. Muito desse distanciamento teve a ver, e ainda tem, com velhos preconceitos em relação aos povos negros, considerados inferiores e incapazes de produzir civilização, na linha de teorias disseminadas por toda a Europa (e no Brasil) a partir de meados do século XIX.

 

O distanciamento não se justifica. Afinal de contas, o Brasil foi o país que mais recebeu africanos em todo o mundo, e não só nas Américas. As estimativas variam, e ninguém jamais saberá o número exato “da maior de todas as migrações forçadas da história”, nas palavras do historiador Alberto Costa e Silva, indo de 9,6 milhões a 20 milhões de africanos feitos cativos nessa parte do mundo. Luiz Felipe Alencastro estima que, de cerca de 11 milhões de africanos escravizados nas Américas, em torno de 44% deles (5 milhões) foram trazidos para o Brasil, que foi também o país em que a escravidão durou mais tempo, três séculos, enquanto nos Estados Unidos durou pouco mais de um século, tendo aquela  nação recebido menos de 600 mil africanos.

 

Se, portanto, examinarmos com atenção os pontos que nos ligam à África, fica evidente a nossa proximidade cultural com ela, e em particular com a África do Sul, apesar das diferenças no que tange à história e à formação social dos dois países. Bem, mas que país é esse em que será disputada a Copa do Mundo de 2010?      

 

PAÍS DE TRÊS CAPITAIS

 

A República da África do Sul é um dos 54 países do continente africano, situado no seu extremo meridional, na confluência dos oceanos Atlântico e Índico. Possui uma área de 1.219.090 km2 (duas vezes a área da França) e uma população estimada (meados de 2009) em 49 milhões de habitantes, com a seguinte composição: 12% de brancos (descendentes de europeus, principalmente holandeses e ingleses); 8,5% de mestiços euroafricanos (“coloured”); 2,5% de asiáticos (indianos, chineses); e 77% de negros de diferentes grupos étnicos, distribuídos por nove províncias. Possui três capitais: a Executiva, Pretória; a Legislativa, Cidade do Cabo; e a Judiciária, Bloemfontein. Em suma, um povo com grande variedade de culturas, crenças e línguas (além do inglês e do africâner, são reconhecidas oficialmente mais nove). Em virtude dessa diversidade, a África do Sul costuma ser referida como a “Nação Arco-Íris” (“Rainbow Nation”).

 

A África do Sul é o país mais desenvolvido de todo o continente africano, o que se deve, sobretudo, às extraordinárias reservas minerais em seu subsolo. Situa-se entre os maiores produtores mundiais de diamantes, ouro, platina, manganês, titânio, cromo, cobre e outros metais nobres. Possui uma avançada infra-estrutura industrial para a produção de veículos, maquinaria, laticínios, tecidos e vinho. É auto-suficiente em produtos agrícolas, e os principais são o milho, o trigo, a cana-de-açúcar, a batata, o tabaco e as frutas. O país também possui importantes criações de bovinos, aves, caprinos e ovinos, além do grande desenvolvimento da pesca. Tudo sem contar a indústria do turismo, calcada, sobretudo, nos famosos safáris, quando se podem ver, em seu habitat natural, animais como a girafa, o hipopótamo e, em especial, os “grandes cinco” (leão, leopardo, rinoceronte, elefante e búfalo).     

 

Em suma, da mesma forma que o Brasil, é um país em franco desenvolvimento, com suas peculiaridades culturais e contrastes.  

 

ENTRE HOLANDESES E INGLESES

 

Assim como todo o continente africano, o território que hoje corresponde à República da África do Sul foi objeto do colonialismo. Antes da chegada dos europeus, viviam na região povos de diferentes etnias, notadamente os Khoi-khoi (chamados Otentotes pelos europeus, e que se bateram com estes), os Xhosas, Zulus, Sothos, Tswanas, Tsongas, Suazis, Nedebeles, Pedis e Vendas.

 

Em 1488 - 89, o navegador português Bartolomeu Dias contorna o acidente geográfico a que deu o nome de Cabo das Tormentas, em virtude das fortes tempestades ali encontradas. O local, por preferência do rei de Portugal, passou a chamar-se Cabo da Boa Esperança, na atual Cidade do Cabo. Mas a história da África do Sul, como unidade política de molde ocidental, tem início em 1652, com a chegada dos bôeres (protestantes calvinistas holandeses, em sua maioria), que resolveram instalar ali um posto de abastecimento para os navios da Companhia das Índias Orientais, sob o comando de Jan van Riebeeck.   

 

Em função da sua localização estratégica, o Cabo despertou a cobiça da Inglaterra, que o ocupou no início do século XIX. Por não aceitarem as regras impostas pelos ingleses, milhares de bôeres migraram para o interior, em uma retirada conhecida como a Grande Marcha. Dirigiram-se para as regiões central e nordeste, onde, depois de se baterem com os Xhosas, os Suazis e os  Zulus do legendário rei Tchaka, fundaram as repúblicas independentes de Orange e do Transvaal.   

 

Em fins do século XIX, com a descoberta das minas de diamantes e ouro, os colonos ingleses do Cabo decidem anexar a rica República do Transvaal, o que provoca a Primeira Guerra Bôer (1880-1881). Os ingleses são derrotados, e um acordo de paz reconhece a autonomia do Transvaal, sob a “proteção” da Inglaterra. A Segunda Guerra Bôer (1899-1902) é vencida pelos ingleses. Assinada a paz, a Inglaterra decide anexar as repúblicas do Transvaal e do Estado Livre de Orange à colônia britânica do Cabo. Em 1910 é criada a União Sul-Africana, ligada à Comunidade Britânica. Nesse novo Estado, é reiterada a situação marginal dos negros. Em 1961, os sul-africanos rompem com a Inglaterra e proclamam a República da África do Sul, independente.     

 

O REGIME DO APARTTHEID

 

Massacre de Sharpeville: em 21 de março de 1960, em Sharpeville, Johanesburgo, milhares de negros promoveram um ato de desobediência civil contra o porte obrigatório do passe (caderneta) para se locomoverem. Dirigiram-se ao distrito policial e declararam que não o portavam. A polícia sul-africana reage a balas. Resultado: 69 mortos e mais de 200 feridos. Essa data foi posteriormente instituída pela ONU como o Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

 

Massacre de Soweto: em 16 de junho de 1976, em Soweto, Jahanesburgo, milhares de estudantes, adolescentes, revoltam-se contra a obrigatoriedade do ensino em língua africâner e a discriminação no ensino. Novo massacre, com 23 adolescentes mortos e cerca de 200 feridos. Essa data foi instituída pela Organização da Unidade Africana (OUA) como o Dia da Criança Africana. 

 

Esses dois massacres podem dar uma idéia do que foi o regime de apartação racial legislada, que se manteve a ferro e fogo entre 1948, quando o Partido Nacionalista venceu as eleições e assumiu o poder (só a minoria branca votava), e início da década de 1990, quando o regime começa a ser desmantelado. Os negros lutavam contra as leis segregacionistas, como, por exemplo, a lei do porte obrigatório do passe, a que proibia o uso instalações públicas destinadas aos brancos, a que vedava o direito do voto. Em 11 de fevereiro desse ano, o principal líder político dos negros sul-africanos, Nelson Mandela, é libertado, depois de 26 anos de encarceramento, e em 1994, em eleições gerais, é eleito presidente da República.

 

Na verdade, o apartheid (separação, apartação, em africâner) foi muito mais uma sistematização, por lei, da costumeira discriminação com que os negros eram tratados desde que os colonos europeus ali se estabeleceram. E cumpre salientar que o racismo “científico” passara a ser a tônica no mundo, em especial depois que o Conde de Gobineau publicou, em 1853, o seu Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas. Essas idéias foram utilizadas para justificar grandes atrocidades no mundo, como as da Alemanha nazista. No fundo, elas resolviam dois problemas: permitiam aos dominadores racionalizar a opressão e o uso da força, e conciliavam-nos com a própria consciência e com Deus.

 

Findo o apartheid, e resolvida a questão da participação política, o país defronta-se com outros desafios. Um deles é a participação dos negros no poder econômico. Outro é a desigualdade na distribuição de renda, pois a África do Sul ainda é um dos países mais desiguais do mundo, se não o mais, medido pelo índice de Gini, posição há poucos anos ocupada pelo Brasil. Tudo sem contar os altos níveis de violência e crime, o desemprego e o drama da epidemia da Aids.      


 

COM SEUS ALUNOS

 

O futebol é uma das manifestações culturais mais importantes da sociedade brasileira, com enorme capacidade aglutinadora, em especial quando se fala da seleção brasileira.

O professor deverá aproveitar o fato de que a Copa do Mundo da FIFA 2010 será realizada na África do Sul e estimular a leitura, a discussão e a interpretação de textos breves sobre o evento e sobre aquele país, com realce para temas tais como: futebol, apartheid, racismo e cultura, fazendo uso de textos propostos pelo professor ou resultantes de pesquisa, pelos próprios alunos, em livros, revistas, jornais, mapas e na internet. As atividades poderão ser desenvolvidas individualmente ou em grupos.  

 

Atividade 1.

Leitura de texto, seguida de discussão entre os alunos, monitorada pelo professor, que, ao final, apresentará a sua interpretação e, se for o caso, salientará aspectos gramaticais e sintáticos notáveis.  

 

Atividade 2. Discussão em grupos, a partir de leituras resultantes de pesquisas dos próprios alunos, sobre a formação social da África do Sul e do Brasil, em que se pedirá aos alunos que apontem semelhanças e diferenças entre os dois países.  

 

Atividade 3. Produção de textos. Os alunos produzirão textos (redação) com base na mesma temática ou sobre qualquer aspecto a ela relacionado que julguem de interesse.

 

Atividade 4.

a) Programas de Ação Afirmativa: desde o fim do apartheid, vários programas governamentais têm sido desenvolvidos no sentido de promover maior igualdade entre os sul-africanos, e, a medida que o país se desenvolve economicamente, mais negros são incorporados à força de trabalho e galgam posições antes reservadas aos brancos. No Brasil, programas de Ação Afirmativa também têm sido implementados, com argumentos contra e a favor. O professor deverá propor aos alunos que identifiquem os argumentos dos que são contra e os dos que são a favor.  

 

b) A oportunidade da Copa do Mundo: as autoridades sul-africanas, ou melhor, os sul-africanos de maneira geral, apostam na Copa do Mundo da FIFA deste ano para dar um salto qualitativo no sentido do desenvolvimento econômico e, consequentemente, da melhoria das condições de vida do povo. Não se fala em outra coisa naquele país. Nada muito diferente da euforia brasileira com a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada aqui. Os alunos serão estimulados a se manifestar, oralmente ou por escrito, sobre este enunciado.    

 

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SUMÁRIO:

Anos do ciclo: 7º a 9º

Área: História

Possibilidade Interdisciplinar: Geografia e Língua Portuguesa

Tempo de duração: de 3 a 6 aulas

Expectativas de aprendizagem. Identificar e comparar as sociedades – brasileira e sul-africana. Valorizar atitudes de respeito à diversidade étnica, cultural e à importância das negociações na mediação de conflitos internacionais.  

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ÁFRICA DO SUL

 

Livros:

 

COSTA E SILVA, Alberto. Um passeio pela África. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

_____ . A enxada e a lança. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 3ª ed., 2006.

HERNANDEZ. Leila Leite. A áfrica na sala de aula. São Paulo: Selo Negro, 2008.

SOUZA, Marina de Mello. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007. 

 

Sites 

www.africadosul.org.br
www.safrica.info 
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